Dia 27/01/2013, não tivemos sangue derramado,
mas 233 vidas se foram de forma brutal.
Jovens que não retornaram para casa no final
do dia, não deram o abraço matinal nos seus pais, não comeram o churrasco de
domingo com a família enfim, não sobreviveram.
Uma tristeza tomou conta de todo o mundo,
chocou todo o País, mas que machucou todo um Estado ao acordar e tomar ciência
do acontecido naquela madrugada que era para ser de festa na Boate Kiss em
Santa Maria. Muitos que ali estavam, era para comemorar mais um ano de vida,
porém, foi à passagem da comemoração do último ano de vida para o descanso
eterno da morte e a tristeza dos que aqui ficaram.
Somos
um povo unido por natureza, apesar de nossas rivalidades futebolísticas e
políticas, todavia, quando o que estamos diante de uma tragédia, temos um
sentimento uno, o de solidariedade. Não precisa morar em Santa Maira ou ter
parentes entre as vítimas para ter derramado lágrimas pelo acontecido, para ter
passado o domingo e a segunda-feira abalados.
A colorida bandeira do Rio Grande está
enrolada pelo laço preto do luto que paira visivelmente sobre nós, fazendo com
que sintamos a dor dos familiares que nunca mais verão seus filhos, netos, irmãos.
Talvez o fato de a maioria dos falecidos estar gozando a juventude, nos faça
sentir uma dor maior, uma sensação de mudança de tempo, fazendo o futuro virar
passado nos machucando no presente.
O aperto no peito que me vem no momento que
escrevo isso, por certo é incomparável ao desespero dos pais que enterraram
seus filhos após essa irresponsável tragédia.
É nesse ponto onde a indignação toma conta de
qualquer ser racional, e por sermos racionais somos tomados pela emoção, nos
faz querer questionar os culpados.
233 vidas foram ceifadas pela
irresponsabilidade mutua de um poder público corroído por interesses diversos,
empresários gananciosos e os artistas imperitos, que culminou em tudo isso.
Os empresários e artistas da banda começaram
a receber a punição, por ora temporária, mas que em breve será definitiva ao
que tudo indica.
Agora, a maior questão é quanto aos agentes
públicos?
O mesmo corpo de bombeiros (CB) que fez um
trabalho heróico no salvamento foi o que não fiscalizou a boate no que tange ao
seu funcionamento sem alvará ou com alvará vencido. Aqui em Bagé, em uma
reportagem do Jornal Folha do Sul (http://www.jornalfolhadosul.com.br/noticia/2013/01/28/bombeiros-garantem-que-casas-noturnas-de-bage-estao-legalizadas), na edição de segunda-feira (28/01/2013), a comandante
do CB disse que quando as boates não preenchem alguns requisitos, é dado um
alvará provisório. Mas como provisório? A morte é eterna. Não podemos ficar
dando brechas e condições de trabalho para quem não tem. Se não corresponde ao
que é necessário para funcionar, que não funcione provisoriamente.
Ao poder executivo municipal, que libera o
alvará de funcionamento da empresa, deve ser responsabilizado por deixar uma
casa sem estrutura entrar em atividade. Esses também têm de serem investigados
de forma imparcial.
O Delegado responsável pelo caso oficiou o CB
para que preste esclarecimento. Porque oficiar quando deveria pedir um mandado
de busca e apreensão da documentação da boate nos arquivos da corporação?
E na prefeitura, na secretária da fazenda, administração
sabe lá quem é responsável pela autorização para que as empresas funcionem
naquele município, vai oficiar e ficar a mercê da “santice” deles para que
digam – Sim, nós fornecemos alvará sem olhar a casa ou porque o empresário é
nosso amiguinho ou porque ele é popular na Cidade ou por outros motivos que... “ah”
deixa pra lá, já foi mesmo-.
Não sou advogado de ninguém, mas esse caso já
está tomando rumo de que a corda vai estourar no lado menos forte (porque o
mais fraco são as vítimas), qual é: os proprietários, que já estão presos e
tiveram seus bens penhorados e, os músicos da banda Gurizada Fandangueira, que além
de perder um de seus integrantes na tragédia, teve dois de seus integrantes
presos, e, algemados como nem os maiores bandidos são.
Que Deus ilumine as almas que se foram e dê
força aos familiares e sobreviventes dessa tragédia.
Que as investigações sejam feitas de forma
justa, imparcial e digna punindo a TODOS os (IR) responsáveis.
Desculpem o desabafo!
